É fácil criticar…

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Quantas vezes você não ouviu alguém criticando um comportamento, e logo depois viu ele fazer a mesma coisa? E quantas vezes já se deu conta de que você também faz isso?

Estava no Poupatempo da Armênia, esperando para ser atendida, quando presenciei um diálogo “controverso” entre as pessoas que estavam na fila para entregar a carteira de motorista por excesso de infrações. Começou com a velha reclamação por causa da espera:

_ Mas essa fila é um absurdo! Isso porque o atendimento é agendado…

_ Pois é… Só podia ser no serviço público do Brasil. Essas coisas só acontecem aqui!

A seguir, a conversa passou para a típica queixa da “síndrome do vira-lata”:

_ Ah se eu pudesse ir embora para o exterior… Lá tudo é diferente! Aqui nada funciona…

E para coroar a discussão, as incansáveis críticas à política (em especial, aos políticos):

_ Também… com esse bando de ladrão que temos no governo! Não salva um. É tudo sem-vergonha!

Não me levem a mal: eu sei que nosso serviço público está longe de ser perfeito, e também fico desanimada com as histórias da nossa política. O que mais me assombrou, na verdade, foi o que escutei logo depois disso:

_ E então, é a primeira vez que você perde a carta?

_ Sim, não sei o que vou fazer sem o carro!

_ Ah, mas eu não entrego a carta de jeito nenhum! Imagina se fico sem dirigir??

_Ué…mas você não é obrigado a entregar o documento?

_ Ih, já passei por isso algumas vezes! É só você preencher um formulário dizendo que perdeu a carta… Aí você fica com ela e continua dirigindo!

_ Mas e se te pararem?

_ Ah, eles não checam sempre os pontos… Aí é só contar com um pouco de sorte!

_ Nossa! Não sabia disso! Vou lá pegar o formulário… Obrigada hein!

Incrível como ninguém pareceu notar a falta de consistência daqueles que tinham acabado de dar um discurso sobre a falta de ética na política, em como os políticos não pensam duas vezes ao passar por cima da lei para seu próprio benefício!

Eu fiquei indignada, inconformada com tanto cinismo… e nada fiz. Assim como a maioria diante de situações flagrantes, pensei “que absurdo!”, balancei a cabeça, e calei…

Texto e ilustração: Raquel Jordão

 

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